Sistema de defesa planetária: testemunhamos um marco na história da ciência

Sistema de defesa planetária: testemunhamos um marco na história da ciência

Na terça-feira (11/10), a Agência Espacial dos Estados Unidos (NASA) informou que a missão DART (Double Asteroid Redirection Test) cumpriu o objetivo almejado. Em outras palavras, pela primeira vez na história, a humanidade alterou a rota de um corpo celeste. O feito inédito é impactante, transformador, disruptivo!

Durante duas semanas, após colidir uma nave não tripulada contra o asteroide Dimorphos, a NASA monitorou a trajetória desse corpo celeste. Com o impacto, Dimorphos ganhou velocidade e está girando 32 minutos mais rápido ao redor do seu par, um asteroide maior chamado Didymos. Por conta do empuxo gravitacional entre entre os dois, a NASA espera que a trajetória de Didymos também seja alterada.

A história do primeiro teste de um sistema de defesa planetária começou nove anos atrás e tem um gatilho que é recorrente nos processos de inovação e desenvolvimento de tecnologias disruptivas: encontrar a solução para um problema.

Em fevereiro de 2013, um meteoro explodiu sobre a Rússia, na região de Chelyabinsk, provocando uma explosão de ar, cuja onda de choque atingiu seis cidades ferindo cerca de mil pessoas. O objeto tinha apenas 18 metros de largura, demonstrando que mesmo pequenos asteróides têm potencial para causar estragos significativos.

Astrônomos estimam que há milhares de asteróides próximos da Terra, muitos deles dez vezes maiores que o de Chelyabinsk. Nesses casos, avaliam os especialistas, grandes o suficiente para causar devastação regional ao atingirem o nosso planeta.

Esse problema real levou a NASA a liderar um time, em conjunto com o Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, para desenvolver e testar um sistema de defesa planetária. O primeiro conceito que surgiu é conhecido como impacto cinético e consiste em atingir um corpo celeste com uma nave não tripulada, provocando um “empurrão” e, consequentemente, a mudança de rota.

Para colocar a tese em teste, o programa DART teve sua nave lançada da Terra em 24 de novembro de 2021. O projeto utilizou um novo sistema autônomo de direcionamento, tecnologia que possibilitou que a nave — do tamanho de um carro de passeio — fosse capaz de mirar e acertar o asteróide Dimorphos, o que ocorreu em 26 de setembro de 2022. O impacto se deu a uma velocidade de seis quilômetros por segundo ou mais de 21 mil quilômetros por hora (20 vezes mais rápido que um Airbus A380).

O feito não carrega o simbolismo da chegada do homem à Lua, mas é tão impactante quanto. Destaco essa conquista como um outro grande salto para a humanidade, entre alguns alcançados desde a frase icônica de Neil Armstrong, ao pisar na Lua: “É um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade”.

Entre os dois marcos da história da exploração espacial, tivemos um período de 53 anos (1969 a 2022). O que significa que uma pessoa de 65 anos ou mais pode testemunhar ambas as conquistas. E o próximo grande salto está por vir, possivelmente em uma ou duas décadas: a chegada da humanidade a Marte.

Quantos saltos disruptivos em menos de um século, não é verdade? Quais outros você acredita que estão por vir? Em quais áreas: comunicação, transportes, saúde, agricultura, urbanismo? Qual salto de tecnologia disruptiva você almeja testemunhar?

Certamente, há muito por vir!

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