Quais as profissões do futuro, segundo Arie Halpern

As disrupturas provocadas pelas novas tecnologias em nosso modo de vida impactam da mesma forma – e não poderia ser diferente – o mercado de trabalho. Vivemos o mundo da internet, da mobilidade, da robótica, da nanotecnologia, da imagem digital e, também, da preocupação com o meio ambiente, com o impacto da nossa atividade na natureza, com o uso responsável dos recursos. “É um cenário que altera o perfil de muitas atividades ou cria funções completamente novas”, afirma Arie Halpern, economista e empreendedor com foco em inovação. “Quem está no mercado ou vai ingressar nele deve estar atendo a essas tendências e pensar sobre como será a sua profissão no futuro.”
O economista cita a pesquisa “Carreiras do Futuro”, realizada pelo Programa de Estudos do Futuro, da Fundação Instituto de Administração – FIA. Segundo o estudo, sustentabilidade, inovação, preocupação com a qualidade de vida e aumento da expectativa de vida da população são os pontos que mais devem estimular essas mudanças.
Halpern destaca, como exemplo, o impacto da inovação tecnológica nas profissões da área de saúde. “Os robôs têm mostrado há algum tempo o potencial que possuem para melhorar a vida humana, principalmente na medicina”, diz ele. “Daqui dez, vinte anos, um médico cirurgião que não souber robótica não conseguirá exercer sua profissão”. Dentro desse cenário, em breve teremos a presença de “nano-médicos”, uma das profissões do futuro apontadas pela consultoria Fast Future Research em sua pesquisa “Shape of Jobs to Come”. Segundo o estudo, avanços na nanotecnologia estão criando dispositivos sub-atômicos e tratamentos diversos que podem transformar os cuidados com a saúde, tornando necessário um novo tipo de especialista para administrar esses tratamentos.
“À medida em que a expectativa de vida aumenta, mais e mais os profissionais da saúde serão especializados em tratar os problemas gerados pelo envelhecimento”, diz Halpern. É o que sinaliza o estudo da Fast Future Research ao colocar o “gerente de bem estar da velhice” entre as profissões de destaque no futuro. Na área farmacêutica, outro exemplo, biologia e tecnologia da informação deverão criar uma profissão como bioinformacionista, que junta farmacologia e genética.Universidades brasileiras já estão apostando na profissão, oferecendo cursos de pós-graduação neste tema, como a Universidade Federal de Minas Gerais.
Halpern lembra que o “futurólogo” Thomas Frey, autor de “Communicating With the Future”, aponta em seu livro diversas novas profissões ligadas à tecnologia, entre elas o de engenheiro “front-end” e gestor de operações e logística. A primeira é uma profissão que cuida do desenvolvimento das redes de internet, que viabilizam as páginas que acessamos diariamente. Segundo Frey, a área deve dobrar de espaço nos próximos anos. Já o gestor de operações e logísticas ficará responsável por gerenciar e controlar estoques e envio de mercadorias para o mundo todo. “A demanda de serviços de entrega, como os da Amazon e da Alibaba, tendem a crescer, e isso vai exigir profissionais especializados nessa logística”, comenta Halpern.
Profissões completamente novas também devem surgir. Como curiosidade, Halpern cita a de «conselheiro de robôs», sugerida pelo portal Careers2030. Como no futuro os robôs desempenharão um papel importante no dia a dia das pessoas e assumir diversas funções dentro de casa, serão necessários especialistas capazes de analisar o perfil da família, indicar os modelos mais adequados e cuidar da atualização dessas máquinas.
Imaginar como será o mercado de trabalho do futuro e preparar-se para ele é também um exercício de criatividade e inovação, diz Halpern. “Na era de disrupturas em que vivemos, o profissional é também um empreendedor e, como tal, pode desenhar a profissão dos seus sonhos e torná-la real.”