Para você, tecnologia pode significar sustentabilidade?

Para você, tecnologia pode significar sustentabilidade?

Você se anima quando conhece novas tecnologias de geração de energia por meio de fontes renováveis e livres de emissões de gases do efeito estufa? Também fica empolgado com as inovações disruptivas para produção de alimentos com menor uso de água, pesticidas e sem impacto em desmatamento? Outros avanços da tecnologia pertinentes à sustentabilidade capturaram sua atenção ultimamente?

Se você respondeu positivamente às três perguntas, saiba que você não está sozinho.

Morning Consult, empresa de pesquisas e inteligência de mercado, acaba de divulgar o levantamento “O que a sustentabilidade significa para os consumidores”. O trabalho reúne as opiniões de mais de 2 mil adultos sobre quais ações sustentáveis os consumidores esperam das marcas que corriqueiramente consomem produtos ou contratam serviços.

A pesquisa apontou que os consumidores percebem a inovação tecnológica como fator com impacto positivo para o meio ambiente. Adicionalmente, o levantamento constatou que há uma grande expectativa de que as empresas do setor impulsionem a inovação para cumprir compromissos climáticos.

Aqui, fica documentado um alerta para as corporações de desenvolvimento de tecnologias ou que as empregam: grandes expectativas seguidas de fracasso podem gerar frustração irreparável.

Por outro lado, sob a ótica do consumidor, fica evidenciado que transformar essa expectativa em elemento decisivo para a escolha de produtos e serviços é o meio de materializar uma eventual frustração com a falta de responsabilidade com a sustentabilidade.

De um modo mais abrangente, há parcela dos consumidores observando os compromissos com a agenda ESG (meio ambiente, responsabilidade social e governança), estabelecida por meio do Pacto Global, da Organização das Nações Unidas (ONU).

Nos últimos anos, grandes empresas de tecnologia anunciaram metas de sustentabilidade. Eliminar embalagens plásticas, abandonar os combustíveis fósseis em frotas e atividades fabris, monitorar a pegada de carbono das cadeias produtivas e a estruturação da logística reversa para reciclar produtos eletrônicos são exemplos bem difundidos.

Nesse cenário, ainda de acordo com a pesquisa da Morning Consult, as companhias que desenvolvem ou empregam tecnologia compõem o único setor que a maior parte dos consumidores aponta como solução para problemas pertinentes à sustentabilidade.

Ou seja, atualmente, há um alinhamento consistente entre as iniciativas que o setor é capaz de empreender, bem como a realização e a comunicação dessas ações, com conhecimento público de tais efeitos e a respectiva percepção da importância que carregam.

Olhando para o futuro, cabe um questionamento: do que depende a continuidade desse alinhamento e a realização das expectativas que os consumidores têm sobre o comprometimento do setor de tecnologia com a sustentabilidade?

O desafio é atuar de forma eficiente em duas frentes.

Criar tecnologias disruptivas para solucionar os problemas de sustentabilidade é o campo de atuação que os consumidores mais valorizam. Adicionalmente, materializar a agenda ESG nas operações da companhia é outro compromisso que não dever ser relegado a segundo plano.

Um exemplo marcante dessa dualidade são os gadgets que demandam computação na nuvem. Para mantê-los funcionando, as gigantes tech detêm uma série de datacenters espalhados por todo o planeta, formando uma estrutura que consome muita energia, fato que implica a busca por fontes renováveis e limpas (isso te lembra a primeira pergunta desse artigo?).

Ao comprar um smartphone, smartwatch ou assistente de voz, o consumidor raramente pensa nisso. Todavia, ao descuidar-se do apreço com a sustentabilidade nos processos que envolvem produção e funcionamento dos produtos, as big techs podem minar a expectativa positiva que detêm.

Você crê nesse relação?