Inteligência artificial para ações humanitárias

Inteligência artificial para ações humanitárias

A aplicação de inteligência artificial (IA) está tornando mais efetivas e bem direcionadas as ações humanitárias em favor de vítimas do furacão Ian, que atingiu a Flórida (EUA) devastando inúmeras áreas no final de setembro.

Em colaboração com o Google, a GiveDirectly, uma organização sem fins lucrativos, ofereceu assistência em dinheiro de US$ 700 para mais de 3.500 moradores de três condados (Collier, Charlotte e Lee) de forma rápida e certeira.

A partir de imagens de satélite dos bairros em que essas pessoas viviam, um sistema de inteligência artificial identificou os endereços das residências atingidas pelos fortes ventos e pela inundação. Cruzando essas informações com bancos de dados, foi possível enviar uma notificação para os smartphones desses moradores, oferecendo a contribuição, sem questionamentos.

Os indivíduos que receberam a mensagem são usuários de um aplicativo de benefícios que gerencia pagamentos de vale refeição. O direcionamento de mensagens com a ajuda do software de IA do Google permitiu que a GiveDirectly oferecesse ajuda mais rapidamente do que com métodos tradicionais de classificação manual das listas de usuários do aplicativo.

“Há uma expectativa sobre o papel das tecnologias na luta contra as mudanças climáticas. Por outro lado, é importante desenvolver novas aplicações para lidar com as consequências dos desastres naturais que já estamos enfrentando”, pondera Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Como auxiliar melhor

O Togo, no continente africano, foi o primeiro local em que esse conceito de tecnologia foi aplicado, nos meses após a pandemia paralisar a economia mundial. As famílias receberam ajuda com base em sinais de pobreza detectados por algoritmos de imagem desenvolvidos por pesquisadores da Universidade da California – Berkeley. Entre outras informações consideradas para mapear a pobreza, estão as contas de telefone celular.

No caso da Flórida (EUA), quatro especialistas em machine learning do Google desenvolveram a  ferramenta de mapeamento Delphi, no primeiro semestre de 2020. O software destaca comunidades carentes após desastres como furacões, sobrepondo mapas ao vivo de danos causados por tempestades com dados sobre pobreza, advindos de fontes como o Departamento de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e serviços de assistência social.

Os dados e mapeamento de danos causados por tempestades são fornecidos por outra ferramenta do Google, chamada Skai, que também usa machine learning para analisar imagens de satélite antes e depois de um desastre para estimar a gravidade dos danos aos edifícios.

Entre as 3.500 vítimas do furacão Ian que receberam a mensagem com a oferta de US$ 700, pouco mais de 900 aceitaram a doação. Segundo os desenvolvedores do projeto, a mensagem inesperada oferecendo dinheiro soa irreal ou como golpe. A organização sem fins lucrativos está revisitando esses usuários com outra mensagem, oferecendo a eles o mesmo pagamento em dinheiro.

Todavia, especialistas em assistência a desastres elogiaram a iniciativa pela rapidez da resposta e por proteger a dignidade dos assistidos, que não precisam fazer fila para receber esmolas em público.

Por outro lado, também de acordo com profissionais de ações humanitárias, há a preocupação com cidadãos que não possuem smartphones. Além disso, dependendo dos danos provocados pelo desastre natural, as pessoas podem ficar impossibilitadas de carregar as baterias de seus aparelhos.