Nova temporada da NFL: graças à tecnologia, atletas estão mais protegidos

Nova temporada da NFL: graças à tecnologia, atletas estão mais protegidos

A National Football League (NFL), uma das ligas esportivas mais ricas e lucrativas do mundo, deu início à temporada 2022. Um destaque para o campeonato desse ano é que tecnologias para a proteção dos atletas estão mais eficientes, graças às novas formas de aplicação de metadados e inteligência artificial.

A direção da NFL acabou de concluir um trabalho sem precedentes para melhorar os cuidados com saúde e segurança dos jogadores. Indo além da simples contagem do número e tipo de lesões, a liga coletou informações para formar um banco de dados centralizado alimentado pelos 32 times que disputam o campeonato.

O Registro Médico Eletrônico (EMR) foi combinado com dezenas de ângulos de câmeras e milhares de horas de filmagens de jogos. Mais informações foram obtidas por meio de sensores instalados em protetores bucais, capacetes e ombreiras utilizados pelos atletas.

Os dados dos sensores foram coletados em conjunto com informações de superfície de campo, variáveis climáticas e revisão de vídeo quadro a quadro de todas as lesões graves para coletar informações sobre postura do atleta, comportamento, tipo de jogo, velocidade, vetores de forças e muito mais.

A luta contra as concussões

Com esse trabalho, os engenheiros da liga de futebol americano puderam identificar em quais tipos de impacto os jogadores têm mais probabilidade de experimentar lesões graves, especialmente na cabeça. Assim, foram indicados aos atletas quais os capacetes mais eficientes e seguros, numa lista de 47 modelos disponíveis. Esse esforço faz parte de um programa específico de prevenção de concussões – lesões no cérebro – que teve início em 2015.

“Tudo começou a partir da constatação de um problema, que sequer era percebido antes da determinação e visão de um pesquisador. Muitos avanços tecnológicos têm início dessa forma e a persistência é uma característica recorrente em histórias de inovações disruptivas”, explica Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Em 2002, o patologista Bennet Omalu foi designado para realizar a autópsia no corpo de Mike Webster, famoso atleta aposentado que morreu com um ataque cardíaco, aos 50 anos de idade. Por conta dos relatos de comportamento estranho do ex-jogador, Omalu procedeu a dissecação do cérebro de Webster e descobriu a presença anormal de proteínas que prejudicam o humor e a função cognitiva. O achado foi semelhante ao de cérebros de boxeadores.

Levou anos e estudos de casos de outros atletas falecidos com problemas mentais para Omalu formular a teoria da Encefalopatia Traumática Crônica (CTE). Após a publicação de um artigo naRevista Médica Neurosurgery, apontando a repetição de golpes contra a cabeça como causa da CTE no futebol americano, a NFL ficou sob pressão e passou a alterar regras do jogo e investir em programas de proteção e saúde dos atletas. A história é contada no filme “Um homem entre gigantes” (2015), estrelado por Will Smith.

Inteligência artificial

A NFL está trabalhando com a Amazon Web Services (AWS) para usar inteligência artificial (IA) e machine learning para criar o Digital Athlete, uma representação virtual de um atleta para prever e evitar lesões nos jogadores. A realidade virtual tem ampliado a presença em inúmeras modalidades esportivas.

Os algoritmos do sistema podem executar incontáveis simulações de cenários do jogo para entender o impacto na saúde e segurança dos atletas. Assim, será possível simular os resultados com grande diferenciação de variáveis, como tipo de capacete e calçado, características do gramado, temperatura no momento da partida.

O Digital Athlete vai ajudar a NFL a desenvolver treinamento e programas de recuperação individualizados, realizar análises de risco em tempo real para lesões durante os jogos e identificar e avaliar iniciativas adicionais de segurança do jogador, incluindo até eventuais mudanças de regras do jogo.

Um dos resultados esperados é aumentar a duração média da carreira dos atletas. Em algumas posições, como running back, a aposentadoria pode chegar já aos 28 anos de idade. São raros os casos como o de Tom Brady, quarter back conhecido pelos brasileiros pelos sete títulos que conquistou e pelo casamento com a modelo e empresária Gisele Bündchen.

Além de se beneficiar das mudanças da liga para proteger os jogadores, Brady procurou desenvolver ciência de treinos – físicos e mentais – para seu próprio perfil e idade, levando um time de especialistas a criar um programa com suas iniciais e número da camisa: TB12 Sports. Ele completou 45 anos em agosto e é jogador titular para mais uma temporada com o Tampa Bay Buccaneers, equipe entre as favoritas para ganhar mais um SuperBowl.

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