Nova Economia Azul: potencial de salvar o planeta e gerar renda
Em tempos de busca por sustentabilidade e de luta contra as mudanças climáticas, o Banco Mundial atualizou a definição de Economia Azul para “Um conceito que busca promover o crescimento econômico, a inclusão social e a preservação dos meios de subsistência e, ao mesmo tempo, garantir a sustentabilidade ambiental dos oceanos e das áreas costeiras”.
O foco na preservação contrasta com a atual economia oceânica, em que a exploração dos recursos marinhos é feita com pouca ou nenhuma atenção à saúde e à produtividade futuras dos oceanos. A pesca predatória e a poluição com plástico são as duas principais marcas do dano humano aos mares.
Para a mudança, estão ganhando destaque iniciativas de desenvolvimento de novas tecnologias disruptivas para remodelar as atividades econômicas em alto mar e áreas costeiras. Compõem a lista empreendimentos de energias renováveis e de combate às mudanças climáticas.
A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que o valor da Economia Azul mundial pode chegar a US$ 3 trilhões até 2030, o que tem potencial para gerar 40 milhões de empregos em todo o mundo.
Na prática, estamos falando de projetos como o SyAqua, que pretende refinar uma nova tecnologia de criação de camarões. Por meio de métodos de genética e nutrição, a companhia está transformando práticas de piscicultura arcaicas, tornando-as mais eficientes, circulares e regenerativas.
A consultoria de investimentos britânica Ocean 14 Capital, cujo propósito é unir investidores às empresas e startups de tecnologias que oferecem soluções sustentáveis para os oceanos, em pouco menos de dois anos, levantou mais de €100 milhões sob a chancela do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS 14), da Organização das Nações Unidas (ONU) — Conservar e usar de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
A empresa norueguesa AION também recebeu investimentos por meio da Ocean 14 Capital. A companhia desenvolve plataformas tecnológicas de gestão de plástico, oferecendo meios para que indústrias de grande escala alcancem a circularidade econômica, centrada no reúso e reciclagem, garantindo que o plástico que já empregam nas suas atividades seja mantido em uso pelo maior tempo possível.
Em outra frente, a iniciativa The Ocean CleanUp está emplacando uma sequência de inovações disruptivas para a limpeza dos oceanos e rios. Com a marca de 1,5 milhão de toneladas de plástico removida dos mares, a organização sem fins lucrativos foi fundada em 2013.
A equipe é composta por 120 engenheiros, pesquisadores, cientistas e modeladores computacionais que trabalham para desenvolver maquinário para “varrer o plástico dos mares”. Depois dos resultados do novo sistema de coleta criado por esse time, a iniciativa espera lançar frotas em todas as cinco grandes manchas para remover 90% do plástico oceânico flutuante até 2040.
Atualmente, há cinco grandes manchas de plástico nos oceanos, sendo duas no Pacífico, outras duas no Atlântico e uma no Mar Índico. A maior delas está no Pacífico Norte, ente o Havaí e a Califórnia, e ocupa uma área estimada em 1,6 milhão de quilômetros quadrados, o que equivale a mil vezes a área da cidade de São Paulo.
A Economia Azul precisa ser acelerada. Se não revertermos a poluição e degradação dos oceanos, manteremos em marcha os processos que têm aumentado o volume de nutrientes químicos na água, levando a florações excessivas de algas que esgotam os níveis de oxigênio subaquático.
Os oceanos e mares cobrem quase três quartos da superfície do planeta. Juntos, absorvem quase todo o excesso de calor da Terra e armazenam cerca de 93% de todo o gás carbônico, um dos principais causadores o efeito estufa. Ou seja, há razões suficientes para fomentar o desenvolvimento da Economia Azul.
De modo geral, a expressão Economia Azul se referia às formas como os oceanos e regiões costeiras contribuem para atividades econômicas diversas. Para o bem, uma mudança nesse ideário está começando.
Em resumo, é preciso ter mais que lucro com as atividades econômicas atreladas aos mares e oceanos, medindo também resultados por meio das métricas de sustentabilidade, preservação e benefícios para os ecosistemas marinhos. Cara agenda ESG, seja muito bem bem-vinda ao conceito de Economia Azul!