Arie Halpern: robôs educadores chegaram às salas de aula
Os robôs estão mudando os paradigmas dentro das salas de aula. Essas máquinas se provaram ferramentas úteis na educação das crianças e diversos países estão investindo para incorporá-las nas redes de ensino. “Utilizar robôs nas escolas é uma maneira de investir em novas formas de aprendizado e, ao mesmo tempo, ensinar às crianças inovação e empreendedorismo”, diz Arie Halpern, economista e empreendedor com foco em tecnologias disruptivas.
Uma das maiores feiras de robôs do mundo, a RoboBusiness Europe dedicou um espaço especial na sua edição deste ano para falar sobre o tema. A palestrante Rikke Berggreen Paaskesen, professora dinamarquesa e socióloga pedagoga, trabalha com robôs em seu dia a dia e apresentou um pouco de seu trabalho na feira. Segundo ela, robôs na educação funcionam como ferramentas motivacionais e criativas e permitem uma abordagem diferente dentro dos processos de aprendizagem.
Desenvolvido pela startup francesa Aldebaran Robotics, um dos robôs que mais tem feito sucesso na área é o NAO. Com apenas meio metro de altura e forma humanoide, ele é capaz de ajudar estudantes a aprender programação e auxiliar professores a manter o foco dos alunos durante as aulas. O robô pode ser utilizado também no ensino superior, pois possui uma interface facilmente programável. Para Arie Halpern, robôs educadores como NAO podem ensinar disciplinas de exata e de humanas. “Imagine o potencial de uma ferramenta como essa, que é capaz de se movimentar como um ser humano e de falar, para ensinar literatura, peças de teatro e até mesmo filosofia”, diz.
Empresas também estão desenvolvendo robôs capazes de trabalhar com crianças autistas, portadores de síndrome de Down e deficiências múltiplas. É o caso da Leka, uma simpática bolinha com um “rosto” digital capaz de expressar emoções. Ela utiliza sons e luzes coloridas para interagir com as crianças por meio de jogos e atividades que melhoram o desenvolvimento motor e cognitivo. Os desenvolvedores do robô trabalharam com pais, educadores e psicólogos para desenvolver todas as funções de Leka e descobriram que crianças com esse tipo de deficiência respondem muito bem à tecnologia.
Para crianças que sofrem de doenças graves submetidas a tratamentos longos, e, por isso, se ausentam da escola, há o VGo. O robô funciona como um dispositivo de telepresença. Com uma câmera, microfone e um display, ele pode andar pelas escolas e interagir com as pessoas enquanto o estudante controla seus movimentos por um aplicativo de computador.
A empresa de brinquedos LEGO também está investindo na área, com um robô especial que pode ser construído com peças de Lego e depois programado para realizar diversas funções. O objetivo da empresa é incentivar desde cedo as crianças a aprenderem conceitos básicos de computação, programação e robótica. A própria empresa sugere em seu site uma série de lições diferentes que podem ser trabalhadas pelo professor para estimular crianças da 2ª à 4ª série a aprender sobre física, biologia geografia e até sobre o espaço sideral.