Pesquisa desenvolve nanocontainer que leva medicamento para dentro das células
Cientistas da John Hopkins Medicine University, dos Estados Unidos, relataram na última sexta-feira, dia 6 de dezembro, num artigo publicado na revista Science Advances, uma das mais importantes do mundo, uma descoberta que pode revolucionar uma série de tratamentos médicos no futuro. Eles obtiveram sucesso em criar um microrrecipiente, um pequeno contêiner químico, capaz de transportar um medicamento por dentro de um corpo vivo e fazê-lo penetrar especificamente numa célula escolhida, descarregando lá dentro o seu conteúdo. As vantagens desse tipo de tratamento são evidentes: ao invés de espalhar um medicamento sobre todas as células do corpo, levando a efeitos colaterais indesejáveis, é possível direcionar um medicamento muito mais potente para o alvo.
“Esse é um feito que os pesquisadores da área médica vêm perseguindo com muitos esforços”, diz o especialistea em tecnologias disruptivas Arie Halpern. Para ele, a nanotecnologia é a fronteira mais promissora no combate a algumas doenças degenerativas, em especial para o tratamento de tumores. Ela cria a possibilidade de atacar apenas as células cancerígenas com um antígeno para destruí-la, preservando as demais. “É uma espécie de ‘quimioterapia de precisão’; o que temos visto é uma medicina que cada vez mais combina conhecimentos de outras áreas para produzir os tratamentos que estarão disponíveis dentro de pouco tempo nos hospitais”, completa Halpern.
Até agora as pesquisas que haviam obtido algum resultado semelhante utilizavam vírus modificados para realizar esse transporte de medicamentos pela corrente sanguínea, aproveitando sua habilidade para penetrar as células. No entanto, embora esteja cada vez melhor desenvolvido, esse tipo de abordagem acarreta alguns riscos que ainda não puderam ser evitados, como respostas indesejadas do sistema imunológico. O que os pesquisadores do John Hopkins conseguiram fazer agora foi produzir o mesmo padrão com um contêiner químico projetado em laboratório.
Polaridade neutra é a chave
O recipiente empresta propriedades dos vírus, muitos dos quais têm forma quase esférica e carregam cargas negativas e positivas. Com uma carga geral mais neutra, os vírus podem se aproximar das células de uma forma que os medicamentos químicos tradicionais não conseguem, porque acabam repelidos. Para fabricar o polímero, os pesquisadores juntaram quatro moléculas que, com o tempo, se decompõem e se dissolvem na água. Uma vez dentro da célula, o contêiner se abre, liberando o medicamento.
Com informações: John Hopkins University; Science Advances; Agência Fapesp, Phys.