Agricultura indiana aposta na nuvem… computacional!
Os esforços do governo da Índia para modernizar a agricultura do país levaram os agricultores indianos a olhar para algo além das nuvens no céu, esperando por chuva para as lavouras. Produtores também estão de olho nas nuvens computacionais, carregadas de informações importantes para o manejo da safra. Os indianos lançaram o primeiro sistema do mundo de cloud computing (computação na nuvem) dedicada à agricultura.
O avanço pioneiro é resultado de um plano estratégico iniciado em 2012. Um escritório anexo ao Departamento de Agricultura indiano — Mahalanobis National Crop Forecast Center (MNCFC) — foi criado para aprimorar o sensoreamento remoto por satélite e as tecnologias de estimativa de safras.
“Quando um avanço tecnológico disruptivo é anunciado, as possibilidades de aplicação e os resultados prometidos são destaque. Todavia, o tempo e o esforço para atingi-lo também precisam ser ressaltados, como nesse caso”, avalia Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas. Ou seja, há passos a seguir para alcançar inovações tecnológicas de impacto transformador.
Nuvens para chuva, nuvens para decisões
A primeira nuvem industrial do mundo desenvolvida especificamente para a agricultura é uma plataforma escalável, flexível e inteligente que permite que o agronegócio, agências de desenvolvimento, governos (nacional e locais) e indústrias acelerem a digitalização de toda a cadeia produtiva de alimentos e outras riquezas das lavouras.
No campo, a tecnologia vai integrar dados de todos os produtores que utilizam o aplicativo dedicado. Essas informações subirão para a nuvem computacional e serão trabalhadas com dados climáticos, estudos de agrociência, big data, inputs de inteligência artificial (IA) e machine learning (ML), IoT (Internet das Coisas) e dados coletados por drones. O recém-lançado satélite indiano de sensoreamento por microondas RISAT-1A data também faz parte dessa dinâmica.
O resultado prometido para os agricultores é um retorno de informações relevantes e precisas para a tomada de decisão aprimorada com base em análise de dados. Sensoreamento remoto, dados e algoritmos podem ajudar o setor a prever o avanço de pragas e, em conjunto, enviar conteúdo com recomendações e técnicas de prevenção e combate.
Segundo o Conselho Indiano para Pesquisa em Agricultura (ICAR), também será possível aumentar a precisão das estimativas de produção de cada safra. O programa tem outras metas como a gestão de nutrientes para garantir a boa alimentação dos indianos, a proteção do meio ambiente e a gestão de recursos de energia.
Agritech e a indústria de alimentos
Dificuldades para rastreabilidade, imprevisibilidade de rendimento, interrupções na cadeia de suprimentos e outros desafios são uma rotina negativa para a indústria alimentícia em todo o mundo. Ao integrar as fábricas de alimentos ao programa de nuvem computacional para a agricultura, os desenvolvedores da plataforma esperam alcançar soluções para esses problemas.
Com informações em tempo real e mais qualificadas sobre o estágio de cada cultura, a estimativa de rendimento, a programação de irrigação, a absorção de nitrogênio e estimativa de datas de colheita, as fábricas poderão organizar de modo mais eficiente a programação de suas linhas de produção. Essa dinâmica pode resultar em uma séria de melhorias na gestão das linhas de fabricação.
As paradas para instalação de novas máquinas ou manutenção preventiva poderão ser programadas para os dias em que haverá falta de matéria-prima. Maior precisão na previsão de safras acima da média pode contribuir para a redução do desperdício de alimentos por meio da adequada gestão dos turnos de produção, meios de transporte e estoque.