Mais um passo rumo a Marte
O programa de exploração espacial da NASA com objetivo de levar naves tripuladas a Marte está avançando para uma nova etapa. A decolagem bem-sucedida do Sistema de Lançamento Espacial (SLS), na madrugada da última quarta-feira (16/11), faz parte da missão Artemis I, cujo objetivo é realizar testes com a espaçonave Orion.
Ainda sem a presença de humanos, a Orion será carregada pelo SLS até a proximidade da Lua, a partir de onde vai se separar. Desse ponto em diante, a espaçonave vai viajar pelo espaço profundo por aproximadamente 65 mil quilômetros, distância equivalente a cinco voltas no planeta Terra, na linha do Equador.
Nos próximos dias, os controladores de missão no Johnson Space Center, em Houston (EUA), farão verificações adicionais e correções de curso conforme necessário. Espera-se que a Orion voe pela Lua em 21 de novembro, realizando uma aproximação com a superfície lunar, e preparando sua partida para o espaço.
O retorno da espaçonave para a Terra deve ocorrer 25 dias após o início dessa viagem. Essa missão, a Artemis I, é uma etapa crítica para a retomada da exploração da Lua (Artemis II) e para a realização da primeira expedição tripulada para Marte (Artemis III).
“As missões espaciais têm um histórico de entrega de novas tecnologias disruptivas para o nosso dia a dia. É um processo que demanda tempo, persistência e investimento. No caso de recursos, até mesmo novos modelos de negócio para financiar as expedições estão surgindo”, explica Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.
A missão Artemis I tem participação de profissionais e cientistas de todo o mundo, desde empreiteiros que construíram a Orion, o SLS e a infraestrutura terrestre; parceiros internacionais e Universidades, até pequenas empresas que fornecem subsistemas e componentes.
Não foi fácil
As duas primeiras datas previstas para o lançamento da SLS foram canceladas, por motivos distintos, meses atrás. Em 29 de agosto, um sensor de temperatura com defeito impediu a partida e, no dia 4 de setembro, um vazamento de hidrogênio líquido em uma interface entre o foguete e o lançador adiou os planos, mais uma vez.
A espera de uma nova oportunidade para iniciar a missão foi estendida por conta da passagem do furacão Ian, o que obrigou as equipes da NASA a recolherem o foguete de volta ao Edifício de Montagem de Veículos (VAB), em 26 de setembro.
O retorno do foguete SLS e da espaçonave Orion para a plataforma de lançamento somente ocorreu em 4 de novembro e, dias depois, enfrentaram o furacão Nicole. Após essa tempestade, os times de campo realizaram avaliações completas de todos os equipamentos e dos sistemas terrestres de controle e monitoramento, e constataram que resistiram bem ao clima severo.
Coleta de informações
Além do monitoramento do SLS e da espaçonave Orion, a NASA poderá coletar informações sobre o sistema solar e testar algumas novas tecnologias. Uma série de dez CubeSats foi implementada no estágio superior da espaçonave: são pequenos satélites que, com acesso ao espaço profundo, terão diferentes missões de ciência e tecnologia.
Parte dos equipamentos vai reunir dados necessários para o retorno da humanidade à Lua e para a exploração de Marte. Em termos de tecnologia, haverá rotinas de testes sobre a capacidade desses equipamentos para transmitir e receber dados, comunicando-se com a Terra.
Entre os CubeSats dedicados à exploração da Lua, destaque para Lunar IceCube, cuja tarefa é procurar água em todas as formas e outros voláteis por meio de um espectrômetro infravermelho. O LunaH-Map vai criar mapas de alta fidelidade de hidrogênio próximo à superfície, em crateras e outras regiões permanentemente sombreadas da Lua.
No caso do Sol, o CuSP deverá medir partículas e campos magnéticos emitidos pela estrela. Focando no nosso planeta, o Equuleus vai registrar imagens e medições da plasmafera (camada superior da atmosfera) com o objetivo de ampliar a nossa compreensão desse ambiente, especialmente quanto a concentração e circulação de radiação.