Inteligência artificial e outras tecnologias no agro digital
Para garantir o sustento a quase 10 bilhões de pessoas no mundo em 2050, será necessário aumentar em cerca de 50% a produção de alimentos. Isso é o que prevê a Food and Agriculture Organization – FAO, das Nações Unidas. Abastecer essa população de forma a satisfazer suas necessidades nutricionais e sua saúde traz o desafio adicional do uso eficiente de recursos naturais no campo.
O uso responsável de insumos como água, energia, fertilizantes biológicos ou químicos, evitando o desperdício e as perdas em todos os elos da cadeia é fundamental.
Por isso, o consumo consciente, os avanços em biotecnologia, nanotecnologia e a adoção de novos modelos de negócio são as premissas do Agro Digital. A incorporação de tecnologias disruptivas no agronegócio está promovendo uma revolução no campo, com novas soluções baseadas na geração de dados com altos níveis de precisão.
Agricultura de precisão
O uso de métodos computacionais, conectividade de máquina para máquina, computação em nuvem, geolocalização e sensorização, entre outras inovações, permitem melhorar significativamente processos que envolvem uma série de variáveis.
Análise do solo, para determinar a necessidade de água e nutrientes, plantio direto e previsão de condições meteorológicas são alguns dos recursos que vêm contribuindo para a contínuo aumento não só da produtividade, mas também da qualidade dos produtos.
Uma das tendências de maior impacto neste avanço digital é a agricultura de precisão, que orienta a aplicação mais cirúrgica de recursos como água, adubo, fertilizantes ou químicos, no caso da agricultura e na pecuária faz o monitoramento de indicadores fisiológicos, comportamentais e produtivos dos animais.
Inteligência artificial, aliado indispensável
Outro aliado indispensável é a inteligência artificial (IA). “Embora não seja novidade no agro brasileiro, a IA ainda tem um enorme potencial a ser explorado no campo”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.
As aplicações de IA contribuem para maior eficiência operacional e redução de custos impactando consideravelmente a produtividade no campo. De acordo com as projeções da Markets & Markets, os investimentos devem passar de US$ 1 bilhão em 2020 para US$ 4 bilhões em 2026.
A chegada da tecnologia 5G no agro irá acelerar esta evolução. Algumas das aplicações previstas são:
Visão computacional – O mapeamento digital das propriedades permite identificar e antecipar problemas e fornecer insights a partir dos dados coletados. As máquinas podem ser treinadas para identificar pragas e doenças, falta de nutrientes ou de água, entre outros aspectos, a partir de imagens ou sensores conectados pela Internet das Coisas (IoT).
Previsão do tempo – As mudanças climáticas tornaram ainda mais complexa a previsão de condições meteorológicas, que têm grande impacto na produção agrícola. A IA é capaz de processar informações locais e de satélites possibilitando previsões mais acuradas sobre os fenômenos climáticos.
Automatização – Máquinas agrícolas e drones já são controlados remotamente, mas ainda precisam de intervenção humana. Com a IA a automação será completa praticamente sem necessidade de intervenção humana.
Monitoramento do mercado – As oscilações nos preços de insumos e na cotação das commodities afetam diretamente os resultados no agro. O uso de tecnologia permite acompanhar as variações do mercado com mais assertividade e em tempo real ajudando a identificar tendências de demanda e ajustar os preços dos produtos em tempo real.