Desvendando os mistérios da origem do Universo

Desvendando os mistérios da origem do Universo

Lançado em órbita no fim de 2021, o telescópio espacial James Webb, capaz de captar imagens com radiação infravermelha e com espelho primário cerca de 60 vezes maior do que seu antecessor, está revelando como era o universo há 100 milhões de anos.

Até o fim desta década, entrará em operação o Telescópio Gigante de Magalhães (TGM). Além de sete espelhos primários, ele terá um dos mais avançados espectrógrafos, instrumento que dispersa a luz com altíssima nitidez de cor para estudar diferentes propriedades dos objetos celestes. O TGM terá quatro vezes a resolução espacial do James Webb.

Nos últimos anos, diversas tecnologias e equipamentos foram desenvolvidos possibilitando aos astrônomos descobrir novas formas de estudar o universo. Como câmeras e telescópios cada vez mais modernos. “As novas tecnologias e a astronomia passam por uma evolução conjunta, que vem ampliando significativamente o nosso conhecimento sobre o universo”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Com novos e poderosos instrumentos, os astrônomos conseguem observar locais jamais vistos antes, o que é fundamental para compreendermos como o universo evoluiu até chegar ao momento atual. Além de telescópios que captam imagens de diferentes partes do espectro eletromagnético, os cientistas também contam com inovações como inteligência artificial e outros recursos tecnológicos para ampliar os horizontes da ciência espacial.

Em construção no Observatório Las Campanas, no deserto do Atacama, no Chile, o TGM faz parte de uma nova geração de telescópios extremamente grandes, potentes e com altíssima resolução. Baseados na Terra, são projetados para observar fenômenos astrofísicos, como as origens dos elementos químicos e a formação das primeiras estrelas e galáxias. Isso inclui a pesquisa de atmosferas de planetas potencialmente habitáveis em busca de vida e de aspectos que possam desvendar os mistérios da matéria escura, energia escura, buracos negros e da formação do próprio Universo.

Dispositivo de mapeamento ultrarrápido

Em La Palma, na Espanha, cientistas parearam um dos telescópios mais poderosos da Terra, o William Herschel (WHT), com uma nova tecnologia que promete revelar detalhes inéditos da formação da nossa galáxia. O dispositivo de mapeamento ultrarrápido, ou WHT Enhanced Area Velocity Explorer (Weave), é composto por 80 mil peças é considerado um milagre da engenharia.

Com ele, o WHT terá capacidade para observar mil estrelas por hora, calculando a velocidade, direção, idade e composição de cada uma e criando uma imagem em movimento de estrelas se movendo na Via Láctea. Isso faz com que seja possível rastrear galáxias absorvidas ao longo da formação da Via Láctea e analisar os efeitos dessa absorção na formação de novas estrelas.

Buracos negros

A primeira imagem do buraco negro no centro da nossa galáxia, a Via Láctea, foi revelada pelo Event Horizon Telescope (EHT), uma rede global de antenas de rádio sincronizadas formando um telescópio virtual do tamanho da Terra com abertura planetária. A imagem foi resultado do trabalho de uma equipe internacional composta por mais de 300 cientistas em cinco continentes.

Previstos pela Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein há mais de um século, os buracos negros são regiões do espaço tão densas que nada, nem mesmo a luz, pode escapar. Por isso, e por serem extremamente pequenos, são muito difíceis de serem captados. A disrupção tecnológica, porém, já conseguiu detectá-los, revelando novas descobertas científicas.