A longa jornada das criptomoedas para a sustentabilidade
Você já parou para pensar que todo o mercado de criptomoedas é um grande consumidor de energia e, portanto, tem um impacto na luta contra as mudanças climáticas? Você leva em conta fatores ambientais e sociais na hora de escolher qual criptomoeda vai comprar ou utilizar?
Por conta desses questionamentos pertinentes, a Ether — segunda criptomoeda mais importante do mundo — acabou de passar por mudanças para promover a sustentabilidade e a responsabilidade social na sua produção e circulação.
O novo modelo operacional da plataforma Ethereum foi apresentado no dia 15 de setembro e é apontado pelos mantenedores como mais ecológico e socialmente responsável, incorporando a agenda ESG. Com a mudança, os gestores da Ethereum prometem reduzir seu consumo energético em 99,9%.
Segundo a Fundação Ethereum, anualmente, os processos de criação e transações da Ether consumiam o mesmo volume de energia que a Holanda. A criptomoeda mais popular do planeta, o Bitcoin, teve o consumo anual de energia estimado ao equivalente à demanda de Bélgica e Finlândia juntas, de acordo com a Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index.
Como a Ether vai economizar tanta energia? O novo sistema de codificação para as criptomoedas da Ethereum reduz o número de computadores necessários para manter o blockchain. Lembrando, a criptomoeda Ether é criada com o pagamento aos proprietários de máquinas de processamento robustas que trabalham para manter o sistema blockchain funcionando. O mesmo princípio é válido para a maior parte das demais criptomoedas.
Assim, os mineradores de criptomoedas que dedicam caros e “energívoros” equipamentos passarão a receber menos recursos pelo serviço prestado à plataforma Ethereum. Além da pulverização desse mercado — simples laptops poderão minerar Ether — o menor consumo de energia também implica menor pagamento, o que já está levando parte desses investidores a migrar para a mineração de outras criptomoedas.
Mais de 20 mil criptomoedas diferentes e mais de 500 operadoras (exchanges) existem em todo o mundo. Nenhum dos relatórios ou cálculos de uso de energia de criptomoedas contabiliza a energia gasta para desenvolver novas moedas ou administrar os respectivos serviços. Ou seja, em termos de energia, o tamanho da pegada de carbono e o impacto ambiental desse enorme mercado ainda é desconhecido.
Além disso, a mineração de criptomoedas também gera resíduos eletrônicos significativos, pois o hardware de mineração se torna obsoleto rapidamente. Isso é especialmente verdadeiro para mineradores de circuito integrado específico de aplicativo (ASIC), que são máquinas especializadas projetadas para minerar as criptomoedas mais populares. Segundo a Digiconomist, somente a rede Bitcoin gera aproximadamente 38 mil toneladas de lixo eletrônico por ano.
Os investidores e usuários são partes importantes do processo de busca por eficiência energética e pela transição energética desse mercado global. A jornada pela adaptação completa das criptomoedas à agenda ESG está só no começo. As escolhas feitas pela massa de adeptos desses meios de pagamento vão determinar se a modernidade das criptomoedas também será sinônimo de sustentabilidade.