O primeiro sistema de proteção contra asteroides

O primeiro sistema de proteção contra asteroides

A Agência Espacial dos Estados Unidos (NASA) informou que foi bem-sucedido o teste do primeiro modelo de sistema para defesa planetária. Na segunda-feira, o DART (Teste de Redirecionamento de Asteroides Duplos) cumpriu sua missão, atingindo o seu alvo: um asteroide.

No Laboratório de Física Aplicada da Universidade de Johns Hopkins (Maryland – EUA), o controle da missão anunciou o impacto bem-sucedido às 20h14, horário de Brasília. A missão confirmou que a NASA é capaz de conduzir uma espaçonave para lançá-la intencionalmente contra um asteroide para desviá-lo da rota. A técnica é conhecida como impacto cinético.

“Esse feito é um passo disruptivo que terá efeitos práticos para o futuro das atuais e das próximas gerações. A tecnologia desenvolvida pela NASA poderá contribuir para evitar um possível evento cataclísmico”, avalia Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas. Ele ressalta que o DART é mais um projeto que valida a existência de programas espaciais.

Como funciona o DART

O sistema DART era uma caixa de 570 quilos que foi lançada intencionalmente contra um asteroide, a cerca de 22.530 quilômetros por hora, para alterar ligeiramente a órbita desse corpo celeste.

A tecnologia foi testada contra um microssistema de dois asteroides, sendo o alvo principal o menor deles, um pequeno corpo com apenas 160 metros de diâmetro. ChamadoDimorphos, ele orbita um asteroide maior, o Didymos, de 780 metros de diâmetro. A 11 milhões de quilômetros da Terra, nenhum dos asteroides representa uma ameaça para a o nosso planeta.

Os pesquisadores esperam que o impacto encurte a órbita em cerca de 1%. O que se almeja é que, por conta do empuxo gravitacional, a rota do maior também se altere. Agora, a equipe de investigação vai observar os asteroides utilizando telescópios instalados na Terra e no espaço para confirmar que o impacto alterou a órbita do menor, em torno do maior.

Nas próximas semanas, os integrantes da missão vão medir os resultados para validar e melhorar os modelos científicos de computação. O objetivo é averiguar a eficácia dessa técnica como um método confiável para a deflexão de asteroides.

O único instrumento da espaçonave, o Didymos Reconnaissance and Asteroid Camera for Optical Navigation (DRACO), e  um sofisticado sistema de orientação, navegação e controle, permitiram ao DART identificar e distinguir entre os dois asteroides, visando ao corpo celeste menor.

O impacto do DART com o asteroide Dimorphos demonstra uma técnica de mitigação viável para proteger o planeta de um asteroide ou cometa ligado à Terra, se algum dia um elemento como esse for descoberto.

Um companheiro italiano

O DART não esteve sozinho pelo espaço a caminho da sua missão “suicida”. O Light Italian CubeSat for Imaging of Asteroids (LICIACube), fornecido pela Agência Espacial Italiana (ASI), viajou juntamente para capturar imagens do impacto do DART e da nuvem de poeira resultante de matéria ejetada do asteroide. 

Os registros do LICIACube destinam-se a fornecer uma visão dos efeitos da colisão para ajudar os pesquisadores a caracterizar melhor a eficácia do impacto cinético na deflexão de um asteroide. Como o LICIACube não carrega uma antena grande, as imagens serão enviadas para a Terra uma a uma nas próximas semanas.

Daqui a aproximadamente quatro anos, o projeto Hera da Agência Espacial Européia (ESA) realizará pesquisas detalhadas de Dimorphos e Didymos, com foco particular na cratera deixada pela colisão do DART e uma medição precisa da massa de Dimorphos.

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