Molécula malcheirosa pode ser um sinal infalível de vida extraterrestre

Molécula malcheirosa pode ser um sinal infalível de vida extraterrestre

A fosfina é um composto químico extremamente fedorento, só encontrada em alguns lugares muito específicos da Terra, como montes de esterco de pinguim, profundezas de pântanos e nos aparelhos digestivos de texugos e de algumas espécies de peixes. Mesmo com essas credenciais nada atrativas, a molécula se tornou o objeto de desejo dos cientistas que estudam a possibilidade de vida em outros planetas.

Uma pesquisa do MIT (Massachusetts Institute of Technology) concluiu que a fosfina é produzida apenas por seres vivos, e por nenhum outro processo químico. Elas são o resultado de atividade biológica de organismos anaeróbicos, de micróbios que não precisam de oxigênio para viver. Como não há outra maneira do composto ser produzido naturalmente, a não ser pela intermediação dessas criaturas, ele é considerado uma bioassinatura, um sinal inequívoco de vida.

Em um artigo publicado na revista Astrobiology, os pesquisadores relataram que, se a fosfina fosse produzida em outro planeta, mesmo em pequenas quantidades, semelhantes ao metano na Terra, o gás geraria um padrão de luz característico na atmosfera. Esse padrão seria claro o suficiente para que pudesse ser detectada a até 16 anos-luz de distância, região na qual existe uma multidão de planetas rochosos. Ou seja, se a luz característica da fosfina fosse avistada num exoplaneta, isso indicaria com certeza absoluta que ali há vida. Os pesquisadores estão montando um banco de dados de “impressões digitais” de moléculas que podem ser entendidas como bioassinaturas. A equipe já catalogou 16 mil candidatas, incluindo aí a fosfina.

“Não há nada mais fascinante para a imaginação humana do que saber se há ou não vida em outros planetas”, comenta o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. “No entanto, isso não é apenas uma curiosidade: quanto mais soubermos sobre as condições capazes de gerar atividade biológica, mais vamos conseguir entender as relações ecológicas do nosso próprio planeta, e quais os efeitos no caso de modificações”, completa o especialista.

 

Testes extremos

Para descartar qualquer hipótese de que a fosfina fosse produzida por processos não biológicos, os pesquisadores do MIT verificaram situações extremas. A molécula é o aglomerado de um átomo de fósforo e três de hidrogênio, substâncias que não se unem facilmente. Assim, foram testadas pressões semelhantes à de placas tectônicas em fricção, impactos simulados de meteoros ou energização de raios de voltagem extrema. Nada disso produziu fosfina. O próximo passo seria, portanto, programar os melhores telescópios disponíveis para detectar o seu padrão de luz, e – se houver confirmação – comemorar um resultado positivo para além de qualquer dúvida.

 

Com informações: MIT; Astrobiology; Phys; Anvisa