As tendências tecnológicas que vão turbinar a geração de energia solar
O Brasil atingiu a marca de 10 GW (gigawatts) de potência instalada para geração de energia solar e é o 14º país no mundo em capacidade de produção de energia a partir de fonte solar. Esse volume equivale a cerca de 70% da capacidade de produção de energia da usina de Itaipu, que é a segunda maior do mundo.
O desenvolvimento tecnológico fez muito pela expansão da energia solar em um prazo relativamente curto. Os sucessivos avanços fizeram com os sistemas de geração solar fotovoltaica ficassem mais eficientes, mais baratos e mais sustentáveis. Isso tornou possível ampliar o uso desses sistemas em vários lugares do mundo, inclusive em países nos quais a incidência solar é reduzida.
A Alemanha, por exemplo, é um dos países que mais produz energia a partir de fonte solar ainda que tenha um índice de incidência solar menor do que a de Santa Catarina, o estado brasileiro que recebe a menor irradiação de sol.
Desde que a primeira usina solar comercial foi instalada no País, há dez anos, muita coisa mudou. Instalada em Tauá, no sertão do Ceará, a usina tinha 4.680 painéis fotovoltaicos e capacidade de geração de 1 megawatt — energia suficiente para suprir o consumo de 650 casas populares. Atualmente, a maior usina de geração fotovoltaica do Brasil e da América do Sul está localizada em São Gonçalo do Gurguéia, no Piauí. São 2,2 milhões de painéis solares e capacidade de geração de 600 MW.
“O avanço da tecnologia, a exemplo do que vem ocorrendo em vários outros setores, está causando uma grande disrupção no setor elétrico e num ritmo muito acelerado. Nesse caso, a transição ganha ainda mais velocidade devido à necessidade de reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa e de descarbonizar a economia”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.
Os sistemas de geração solar usados atualmente possuem recursos como rastreadores solares, que acompanham a posição do sol ao longo do dia aumentando consideravelmente a produtividade da usina. Outra inovação são os chamados trackers, sistemas que fazem a comunicação entre equipamentos, tais como inversores, sistemas de armazenamento e transformadores, melhorando a eficiência. Segundo especialistas, essa troca de informações possibilita um aumento de cerca de 20% na geração.
A evolução tecnológica digital, com 5G, inteligência artificial (IA), IoT (Internet das Coisas, na sigla em inglês) e computação em nuvem, deve provocar um salto ainda maior na geração de energia solar nos próximos anos. Um dos usos da IA, por exemplo, é auxiliar a previsão climática de curtíssimo prazo, possibilitando melhoria na gestão das usinas a cada hora.
5 tendências para a geração solar fotovoltaica
Confira quais as novas tendências, entre outras, que devem acelerar a evolução da geração solar nos próximos anos.
- Digitalização – Parte dos três “Ds” (os outros são descarbonização e a descentralização), a digitalização já é realidade e ganhará ainda mais espaço. Em poucos anos, praticamente todas as usinas fotovoltaicas do mundo serão totalmente digitais.
- IA – A inteligência artificial provocará um upgrade nos sistemas que se tornarão autônomos e colaborativos. Ela vai facilitar a interconexão entre os diversos dispositivos, melhorando a eficiência e a produtividade.
- Usinas autônomas – Com o uso de inteligência artificial e da internet das coisas, as usinas vão operar cada vez mais de forma autônoma, agilizando o diagnóstico e a tomada de decisão conforme as circunstâncias.
- Sistemas de armazenamento – A expansão de sistemas de armazenamento, com a evolução tecnológica e a consequente redução nos custos de baterias, será fundamental para regular a frequência e os picos de demanda, solucionando a limitação da intermitência.
- Design modular – Inversores, PCS e dispositivos de armazenamento de energia terão design modular, facilitando a manutenção e permitindo a implantação de modelos mais flexíveis.