Maior câmera digital do mundo está prestes a ser lançada
Com a inédita resolução de 3,2, a maior câmera digital do mundo está em fase final de montagem e passará pelos primeiro teste no SLAC (National Accelerator Laboratory- Califórnia). O equipamento fará parte do Observatório Vera C. Rubin (Chile), completando o projeto de duas décadas do principal telescópio do local.
Após concluir a montagem, os engenheiros ficarão cerca de dois meses testando a câmera e, de acordo com o cronograma, será entregue em maio de 2023. As rotinas de testes incluem a verificação dos filtros, sensores e sistemas de refrigeração. Então, já no observatório, os cientistas realizarão os primeiros testes de imagem do telescópio e farão a estreia do equipamento em março de 2024.
“Ampliar a capacidade e o refinamento de tecnologias já conhecidas também produz inovações disruptivas. Em outras palavras, o trabalho de laboratório para conceber tal feito é inédito e novas técnicas foram desenvolvidas para isso. O próximo passo é aplicá-las em outros projetos e áreas”, explica Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.
A câmera irá fotografar cada pedaço do céu a cada três dias, fornecendo imagens que podem ser usadas em grupos para examinar objetos distantes, objetos que mudam de lugar e os caminhos de asteroides e cometas próximos da Terra movendo-se lentamente em suas órbitas.
Essa última tarefa é importante para fornecer informações para futuros projetos de defesa planetária. No início de outubro, a Agência Espacial dos Estados Unidos (NASA) informou que a missão DART (Double Asteroid Redirection Test) cumpriu o objetivo almejado, alterando a rota de um corpo celeste, feito inédito para a humanidade.
Guinness Book
O equipamento já está listado no livro dos recordes, Guinness Book, como a maior câmera digital do planeta. Além da lente com 1,7 metro de diâmetro, as demais variáveis do projeto atingiram números inéditos.
Por exemplo, enquanto a câmera digital do seu smartphone tem 12 megapixels, a resolução do novo equipamento é de 3,2 gigapixels ´– 265 vezes maior. O seu smartphone pesa pouco mais de 200 gramas, algo incomparável com as três toneladas da super câmera.
Além disso, uma noite de fotos com os amigos e amigas pode ocupar até um megabyte de memória (se você exagerar!). E uma noite de fotos da super câmera resultará em 20 terabytes, ou seja, 20 mil vezes mais.
É com esse volume gigantesco de informação que os cientistas pretendem construir um vasto mapa do céu visto do hemisfério sul, incluindo 20 bilhões de galáxias e 17 bilhões de estrelas na Via Láctea – uma fração significativa de todas as galáxias do universo e de todas as estrelas em nossa própria galáxia.
A expectativa é também acumular imagens de 6 milhões de asteroides e outros objetos em nosso sistema solar. Os enormes mapas que se formarão serão valiosos para estudar a expansão do universo, investigar a estrutura da Via Láctea e sua história e confirmar a existência de um esqueleto oculto de partículas de matéria escura que mantêm todas as galáxias unidas.
Homenagem à Vera Rubin
O enorme telescópio recebeu o nome da astrônoma Vera Rubin. Nas décadas de 1960 e 1970, ela usou telescópios no Arizona (EUA) para mapear os braços espirais de estrelas de galáxias próximas. As órbitas rápidas dessas estrelas revelaram um dilema: ou havia matéria escondida em algum lugar, ou a gravidade funcionava de maneira diferente do que os físicos pensavam.
Embora o trabalho Rubin não tenha sido reconhecido com um prêmio Nobel, sua descoberta levou a pesquisas sobre a matéria escura. A escolha do nome para o novo observatório foi anunciada no início de 2020.