Hortas verticais, uma resposta para futuras crises de alimentos

Hortas verticais, uma resposta para futuras crises de alimentos

As hortas verticais estão ganhando cada vez mais adeptos – leia-se investidores – em todo o mundo e também no Brasil. O uso de tecnologia para verticalizar plantações inteiras é apontado como um meio de produção de alimentos sustentável, em diversos eixos: meio ambiente, saúde humana, economia etc.

Em conjunto com essas características, a alta produtividade desse tipo de empreendimento coloca as hortas verticais como potencial solução para uma futura crise de alimentos.

De acordo com a consultoria Prudence Research, essa técnica moderna de cultivo movimentou, em todo o mundo, cerca de US$ 4,1 bilhões em 2021. A projeção para o setor é alcançar a cifra de US$ 31,5 bilhões até 2030.

Esse modelo tecnológico de plantação vai além do simples empilhamento de paletes com mudas de hortaliças e outras culturas. O prédio em que uma horta vertical é instalado emprega alta tecnologia para controlar variáveis climáticas e criar um ambiente onde “sempre é primavera”.

“Cada vez mais a produção de alimentos é sinônimo de uso inteligente de tecnologia. Além de mais produtivas, as fazendas do futuro serão mais sustentáveis e, possivelmente, capazes de contribuir para a preservação do meio ambiente”, avalia Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Halpern destaca que há inúmeras iniciativas tecnológicas para qualificar a produção de alimentos em todo o planeta. Recentemente, a Índia deu início ao primeiro grande projeto de nuvem computacional dedicada ao setor agrícola.

No Brasil

Pink Farms, maior fazenda vertical urbana da América Latina, funciona em São Paulo e desenvolveu um método capaz de entregar hortaliças e frutas o ano inteiro. A companhia afirma que não emprega agrotóxicos e que a produtividade por metro quadrado é, em média, cem vezes maior que a obtida no campo.

Assim, levando em conta essa métrica, o que é produzido por um fazenda com área de um hectare (10 mil m2) seria facilmente comportado em um galpão que abrigue 100 m2 das estruturas verticais de paletes, luzes e máquinas.

As duas marcas tecnológicas da empresa são a luz cor de rosa aplicada sobre as mudas e o alto nível de automação e controle da horta.

No primeiro caso, a mistura das luzes com tons vermelho e azul entrega para as plantas a energia que seria provida pelo sol. Como os equipamentos permanecem acesos o tempo todo, o crescimento é acelerado e, segundo os desenvolvedores da tecnologia, demanda menos água e terra que os meios tradicionais de plantio.

Adicionalmente, a automação de processos, combinada com uma logística de distribuição favorecida pela proximidade com os consumidores, resulta em barateamento de custos, bem como redução das emissões de carbono (CO2) decorrentes do transporte de cargas.

A irrigação controlada demanda menos que 10% do volume de água usualmente necessário em fazendas a céu aberto. Isso é consequência da manutenção automatizada de temperatura e umidade do galpão.

No mundo

Atualmente, a maior horta vertical do mundo está em Dubai. A Bustanica, com uma área de mais de 30 mil m2, tem capacidade para produzir mais de mil toneladas de folhas verdes por ano. O projeto teve o investimento de mais de US$ 40 milhões e a principal finalidade é fornecer alimentos para mais de 100 companhias aéreas atendidas pela prestadora de serviços Crop One, da Emirates Flight Catering.

Mas a Bustanica está prestes a ser desbancada por um projeto em implantação nos Estados Unidos. Com investimento de US$ 300 milhões, a empresa Plenty Unlimited deu início à construção de uma série de torres de nove metros de altura, cuja produção total será de nove milhões de toneladas por ano.

O novo complexo será construído no estado da Virginia porque, segundo os executivos da empresa, essa localização está a menos de 24 horas de estrada para diferentes mercados que, somados, representam mais de 100 milhões de consumidores.

Além disso, os projetos da Plenty têm um nível de automação mais sofisticado. Os paletes de plantio são posicionados verticalmente, possibilitando o cultivo de plantas dos dois lados de cada prateleira, aumentando em quase 75% a produtividade em relação aos demais modelos de horta vertical. Para dar conta de movimentar essas estruturas, a empresa faz uso intensivo de robôs.

Será que algum desses robôs se chama Rosie, como a robô que preparava alimentos para a família do desenho animado Os Jetsons?