Carros voadores? Tecnologia do trem-bala pode chegar aos veículos de passeio

Carros voadores? Tecnologia do trem-bala pode chegar aos veículos de passeio

A Universidade Southwest Jiaotong, na China, está testando a tecnologia Maglev, que faz os carros levitarem, em veículos de passeio. Esse sistema tem elevada eficiência energética e ficou conhecido devido ao uso nas linhas de trem-bala, especialmente na China, Japão e Coreia do Sul.

A equipe do professor Deng Zigang está conduzindo os experimentos com oito veículos, tendo atingido a velocidade 230 quilômetros por hora. No caso do trem-bala, a tecnologia é capaz de entregar velocidades de até 600 quilômetros por hora.

Os protótipos de carros com a tecnologia Maglev são equipados com imãs, instalados na parte inferior dos chassis, o que permite a flutuação dos veículos a cerca de 3,5 centímetros acima de um par de trilhos condutores, suspendendo os quatro pneus do chão.

Inicialmente, o projeto tem como propósito a realização de testes de colisão para aprimorar a segurança dos veículos. Como entrega altas velocidades em pistas mais curtas, a tecnologia possibilita a realização de crash testsmais severos, o que pode contribuir para elevar os padrões de novos projetos de automóveis.

Contudo, devido ao sucesso com os primeiros ensaios, Zigang declarou que vislumbra a aplicação da tecnologia no dia a dia. Um aspecto importante do projeto é a permanência de rodas, pneus e motores elétricos do carros, o que possibilita que funcionem também onde não há os trilhos magnetizados.

“Muitas inovações disruptivas nascem com um propósito específico. Todavia, após bons resultados iniciais, novas aplicações se tornam possíveis e a chegada ao mercado de produtos com essas tecnologias se viabiliza”, explica Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Por que levitar?

Uma das principais vantagens da tecnologia Maglev é a possibilidade de livrar-se, completamente, de um fenômeno físico que resulta em perda de energia e desgate de materiais: o atrito.

Em primeiro lugar, ao levitar o veículo, os pneus são poupados. Assim, é estendida a durabilidade de um equipamento que tem uma cadeia de produção com pegada de carbono impactante e que, ao fim da vida útil, se torna um passivo ambiental dramático.

Além disso, o atrito é um elemento que gera calor e perda de eficiência energética. Ou seja, eliminar o atrito diminuirá o consumo de energia necessária para percorrer uma determinada distância.

Por fim, enquanto estiver funcionando sobre os trilhos magnéticos, o carro permanecerá com o seu motor elétrico desligado. Assim, o motor e diversos outros conjuntos de peças (suspensão, relação, caixa de direção etc) também serão poupados. Ou seja, potencialmente, a durabilidade de um veículo elétrico com Maglev será consistentemente maior.

Um caminho possível

A chegada da tecnologia Maglev ao mercado de carros de passeio depende de dois fatores primordiais: ampliação da frota de veículos elétricos e construção de estradas com os trilhos magnéticos.

No primeiro caso, a energia elétrica é necessária para ativar os imãs que irão proporcionar a levitação do carro. A boa notícia é que a frota de veículos elétricos está em franca expansão nos principais mercados mundiais.

Ásia, Europa e América do Norte adotaram metas agressivas de descarbonização dos veículos automotores e, segundo a International Energy Agency (IEA), a frota mundial de carros elétricos atingirá a marca de 300 milhões de unidades até 2030, representando 60% das vendas de novos veículos.

Por outro lado, a construção de avenidas e estradas com os trilhos magnetizados se impõe como um forte desafio de infraestrutura.

A equipe da Universidade Southwest Jiaotong não revelou o custo da construção da pista de oito quilômetros de extensão. Porém, os projetos recentes para linhas de trem-bala podem ser um indicativo de custos. Um percurso entre a capital dos Estados Unidos (Washington DC) e a cidade de Baltomore, de 65 quilômetros, tem custo projetado em até US$ 16,8 bilhões.

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